Alvos pelo que são? Juventude negra entre violência armada e resistência nas favelas cariocas

DOI® https://doi.org/10.54948/desidades.v1i44.72939
  • Carolina Barboza Brandão
    Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Joviana Quintes Avanci
    Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Fernanda Mendes Lages Ribeiro
    Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

Resumo

Este artigo discute a relação entre violência armada e a juventude negra que vive em favelas cariocas, com foco nos complexos de Manguinhos e da Maré, a partir do pressuposto de que esses jovens se tornam alvos da violência não apenas pelo que fazem, mas pelo que são. Articulando literatura sobre racismo estrutural, interseccionalidade, necropolítica e saúde coletiva, sustenta-se que a violência armada constitui condição territorialmente concentrada e racialmente estruturada. A sobreposição entre presença armada do Estado e atuação de grupos civis armados produz regimes diferenciados de controle e vulnerabilidade juvenil. O artigo também debate sobre práticas comunitárias de cuidado e estratégias de resistência que tensionam a naturalização da morte e afirmam a juventude como sujeito de direitos nas disputas cotidianas por proteção e reconhecimento. Reafirma-se a necessidade de respostas intersetoriais comprometidas com a proteção da vida, a garantia de direitos e o fortalecimento do cuidado nos territórios.

  • juventude negra
  • violência armada
  • território
  • resistência
  • interseccionalidade

Resumen

Este artículo analiza la relación entre la violencia armada y la juventud negra que vive en las favelas de Río de Janeiro, centrándose en los complejos de Manguinhos y Maré, partiendo de la premisa de que estos jóvenes se convierten en blanco de la violencia no solo por lo que hacen, sino por quienes son. Articulando la literatura sobre racismo estructural, interseccionalidad, necropolítica y salud pública, argumenta que la violencia armada constituye una condición territorialmente concentrada y racialmente estructurada. La superposición entre la presencia armada del Estado y las acciones de grupos civiles armados produce regímenes de control diferenciados y vulnerabilidad juvenil. Al mismo tiempo, el artículo examina las prácticas de atención comunitaria y las estrategias de resistencia que desafían la naturalización de la muerte y afirman a la juventud como sujetos de derechos en las luchas cotidianas por la protección y el reconocimiento. Se reafirma la necesidad de respuestas intersectoriales comprometidas con la protección de la vida, la garantía de los derechos y el fortalecimiento de la atención dentro de estos territorios.

  • juventud negra
  • violencia armada
  • territorio
  • resistencia
  • interseccionalidad

Abstract

This article discusses the relationship between armed violence and Black youth living in Rio de Janeiro's favelas, focusing on the Manguinhos and Maré complexes, based on the premise that these young people become targets of violence not only for what they do, but for who they are. Articulating literature on structural racism, intersectionality, necropolitics, and public health, it argues that armed violence constitutes a territorially concentrated and racially structured condition. The overlap between the armed presence of the State and the actions of armed civilian groups produces differentiated regimes of control and youth vulnerability. At the same time, the article discusses community-based care practices and resistance strategies that challenge the naturalization of death and affirm youth as subjects of rights in the daily struggles for protection and recognition. It reaffirms the need for intersectoral responses committed to protecting life, guaranteeing rights, and strengthening care in the territories is reaffirmed.

  • black youth
  • armed violence
  • territory
  • resistance
  • intersectionality

Data de recebimento: 01/03/2026

Data de aprovação: 25/04/2026

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  • Carolina Barboza Brandão

    Enfermeira pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil, e mestranda em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), Brasil.

  • Joviana Quintes Avanci

    Psicóloga, pesquisadora titular do Departamento de Estudo sobre Violência e Saúde Jorge Careli/ Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Brasil.

  • Fernanda Mendes Lages Ribeiro

    Psicóloga, Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli/Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca/Fundação Oswaldo Cruz e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Brasil.