Infâncias warao no bojo da migração forçada: cuidados, aprendizagem e identidade

DOI® https://doi.org/10.54948/desidades.v1i43.69493
  • Milena Weber
    Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, Brasil
  • Claudia Lee Williams Fonseca
    Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil

Resumo

O artigo examina as infâncias warao em deslocamento forçado da Venezuela ao Brasil, com base em etnografia realizada em Porto Alegre (2020–2024). A antropologia da criança mostra como adultos e crianças reinventam práticas de brincar, aprender e cuidar em meio ao adoecimento, às adversidades e às interações com instituições públicas e religiosas. A noção de nobotomo yorokitane (cuidar das crianças) orienta modos de cuidado que combinam saberes tradicionais, catolicismo e atenção biomédica. As crianças não apenas recebem cuidados, mas atuam como agentes na mediação de linguagens (warao, espanhol e português), na sociabilidade comunitária e nos dilemas familiares sobre permanecer no Brasil ou retornar à Venezuela. Conclui-se que, apesar das adversidades, as famílias elaboram alternativas criativas que ressignificam a infância, a identidade e o pertencimento Warao.

  • crianças indígenas
  • infâncias
  • transformações
  • deslocamento forçado
  • Warao

Resumen

El artículo examina las niñeces warao en desplazamiento forzado desde Venezuela hacia Brasil, con base en una etnografía realizada en Porto Alegre (2020–2024). Desde la antropología de la niñez, muestra cómo adultos y niños reinventan prácticas de juego, aprendizaje y cuidado en medio de adversidades, enfermedades e interacciones con instituciones públicas y religiosas. La noción de nobotomo yorokitane (cuidar a los niños) orienta modos de cuidado que combinan saberes tradicionales, el catolicismo y la atención biomédica. Los niños no solo reciben cuidados, sino que actúan como agentes en la mediación de lenguas (warao, español y portugués), en la sociabilidad comunitaria y en los dilemas familiares sobre permanecer en Brasil o regresar a Venezuela. Se concluye que, a pesar de las adversidades, las familias elaboran alternativas creativas que resignifican la infancia, la identidad y la pertenencia Warao.

  • niños indígenas
  • niñeces
  • transformaciones
  • desplazamiento forzado
  • Warao

Abstract

This article examines warao childhoods in the context of forced displacement from Venezuela to Brazil, based on ethnographic research conducted in Porto Alegre (2020–2024). Drawing on the anthropology of childhood, it shows how adults and children reinvent practices of play, learning, and care amid precarious living conditions, illness, and interactions with public and religious institutions. The notion of nobotomo yorokitane (caring for children) guides forms of care that combine traditional knowledge, Catholicism, and biomedical attention. Children are not only recipients of care but also act as agents in mediating languages (Warao, Spanish, and Portuguese), community sociability, and family dilemmas about staying in Brazil or returning to Venezuela. It concludes that, despite adversity, families develop creative alternatives that reconfigure Warao childhood, identity, and belonging.

  • indigenous children
  • childhoods
  • transformations
  • forced displacement
  • Warao

Data de recebimento: 01/09/2025

Data de aprovação: 06/11/2025

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  • Milena Weber

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil. Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil, e cientista social pela mesma universidade.

  • Claudia Lee Williams Fonseca

    Professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil, e coordenadora da Anthera – Rede de Pesquisa Internacional sobre Família e Parentesco.