Resumo
Este artigo analisa a experiência de diagnóstico territorial e de construção participativa do Plano para a Primeira Infância nas favelas da Maré, no Rio de Janeiro, desenvolvida pela Redes da Maré entre 2020 e 2024. A experiência parte da tensão entre a universalização normativa dos direitos da primeira infância e as condições concretas de vida em territórios marcados por desigualdades estruturais e violência armada persistente. O diagnóstico combinou levantamento domiciliar em larga escala com responsáveis por crianças de zero a seis anos, escutas qualitativas e dispositivos participativos de deliberação comunitária. Os resultados evidenciam a sobreposição de vulnerabilidades socioeconômicas, institucionais e territoriais que incidem precocemente sobre as trajetórias infantis, além de destacar a centralidade das redes comunitárias de cuidado, predominantemente femininas, na sustentação cotidiana da infância. O artigo argumenta que a efetivação de direitos em territórios periféricos depende da articulação entre produção de conhecimento territorializado, participação social e compromisso institucional contínuo.
Resumen
Este artículo analiza la experiencia de diagnóstico territorial y de construcción participativa del Plan para la Primera Infancia en las favelas de Maré, en Río de Janeiro, desarrollada por Redes da Maré entre 2020 y 2024. La experiencia parte de la tensión entre la universalización normativa de los derechos de la primera infancia y las condiciones concretas de vida en territorios marcados por desigualdades estructurales y violencia armada persistente. El diagnóstico combinó un levantamiento domiciliario a gran escala con responsables de niñas y niños de cero a seis años, estrategias cualitativas de escucha y dispositivos participativos de deliberación comunitaria. Los resultados evidencian la superposición de vulnerabilidades socioeconómicas, institucionales y territoriales que inciden tempranamente en las trayectorias infantiles, además de destacar la centralidad de las redes comunitarias de cuidado, predominantemente femeninas, en la sustentación cotidiana de la infancia. El artículo sostiene que la efectividad de los derechos en territorios periféricos depende de la articulación entre producción de conocimiento territorializado, participación social y compromiso institucional continuo.
Abstract
This article analyzes the experience of territorial diagnosis and the participatory construction of an Early Childhood Plan in the Maré complex of favelas, Rio de Janeiro, developed by Redes da Maré between 2020 and 2024. The experience emerges from the tension between the normative universalization of early childhood rights and the concrete living conditions in territories marked by structural inequalities and persistent armed violence. The diagnosis combined a large-scale household survey with caregivers of children aged zero to six, qualitative listening strategies, and participatory community deliberation processes. The findings reveal overlapping socioeconomic, institutional, and territorial vulnerabilities that affect children’s trajectories from early life, while also highlighting the central role of predominantly female community care networks in sustaining everyday childhood. The article argues that the realization of rights in peripheral urban territories depends on the articulation between territorially grounded knowledge production, social participation, and sustained institutional commitment.
Data de recebimento: 28/02/2026
Data de aprovação: 23/03/2026
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