Editorial

O lugar da interdisciplinaridade na produção do conhecimento científico das sociedades atuais parece cada vez mais evocado e sentido como necessário (FRODEMAN, KLEIN; PACHECO, 2010; KLEIN, 1990). No entanto, a “virada interdisciplinar”, ainda que propalada, não conseguiu efetuar mudanças estruturais sobre as práticas disciplinares que hegemonicamente modelam os processos de construção e transmissão dos saberes científicos. Como exemplo para tal reflexão, tomemos o(s) campo(s) da infância, adolescência e juventude, temas que balizam os esforços editoriais de publicação científica da revista DESIDADES. A política editorial dessa revista a apresenta como uma revista de “abordagem multidisciplinar”, o que se entende como acolhendo artigos de diversas áreas disciplinares que tenham a infância, a adolescência ou a juventude como temáticas de investigação. Com efeito, em levantamento feito até 2024 sobre as áreas disciplinares dos trabalhos publicados na revista (tendo como critério a formação disciplinar de seus autores), a revista contava com artigos provenientes de mais de vinte áreas, dentre elas, Educação, Psicologia, Sociologia, Enfermagem, Serviço Social, Educação Física, Medicina. A questão, no entanto, é: em que medida, e como, tal abordagem multidisciplinar caminha para a construção de um conhecimento interdisciplinar, ou tão somente, favorece a colaboração mais próxima de várias disciplinas em torno da mesma temática?

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