Aos nossos e nossas leitoras! Aos nossos e nossas autoras e colaboradoras!
Celebramos neste Editorial a parceria recente entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que, a partir da presente edição, serão parceiras institucionais na publicação da Revista DESIDADES. As duas Universidades, UFRJ e UERJ, se incumbem, portanto, de dar continuidade ao projeto editorial da DESIDADES de modo que se assegurem a permanência e a qualidade desse projeto no campo da divulgação científica sobre a infância, a adolescência e a juventude latinoamericanas.
A Revista DESIDADES foi lançada em dezembro de 2013 tendo completado, portanto, treze anos de publicação ininterrupta. Veio ao encontro de suprir uma lacuna do campo editorial latino-americano a respeito desta área de estudos e pesquisas – a infância, adolescência e juventude. É a primeira revista científica brasileira totalmente vocacionada a essa temática. De dezembro de 2013 a agosto de 2020 (27ª edição), a Revista foi publicada, na sua totalidade em português e espanhol, tendo em vista cumprir a política editorial de se consolidar como uma revista latino-americana neste campo de estudos. No entanto, os altos custos das traduções e a dificuldade de financiamentos fizeram com que o Conselho Editorial tomasse a decisão de não necessariamente traduzir toda a revista para ambas as línguas. O enxugamento dos custos e o melhor manejo da logística operacional da Revista também foram os fatores que pesaram na decisão do Conselho Editorial de alterar a periodicidade da Revista, inicialmente publicada trimestralmente, para se tornar uma publicação quadrimestral, a partir de janeiro de 2020. No entanto, a Revista nos seus mais de 10 anos de publicação ininterrupta tem podido se manter, tendo conquistado o lugar de referência editorial científica na América Latina. Esse fato, por si só, tem sido o alento para persistir com este empreendimento editorial científico, em que pesem todas as dificuldades.
DESIDADES é uma revista científica multidisciplinar no campo da infância, adolescência e juventude. Assim, o leque de autores inclui uma diversidade de disciplinas, tais como, a psicologia, a psicanálise, a educação, a antropologia, a sociologia, a geografia, o direito, a enfermagem, o serviço social, a medicina, dentre outros. Destacamos seu formato singular que, não apenas publica artigos inéditos, mas também entrevistas e debates – na Seção Espaço Aberto –, assim como Resenhas de livros lançados recentemente; a seção de Levantamento Bibliográfico, brinde singular aos leitores da Revista, oferece-lhes uma pesquisa sobre as novas publicações em livro da área, lançadas pelas editoras comerciais e universitárias de toda a América Latina.
Através de editais públicos, e com a colaboração de editores convidados, a Revista já publicou uma série de Seções Temáticas, tais como: Bebês, Infâncias cuidadoras em contextos latinoamericanos, Interdisciplinaridade no campo da Infância, Adolescência e Juventude, Juventudes indígenas e negras na América Latina: Construção de formas de viver a partir dos campos da educação e do trabalho, Infâncias no e do campo – Contribuições das investigações latino-americanas aos estudos das experiências de crianças em contextos rurais, Metodologias participativas na pesquisa com jovens, Saúde da criança e do jovem na América Latina, Mobilidades e territorialidades de crianças e jovens na América Latina, dentre outras tantas temáticas relevantes. Nesta mesma veia, o leque de autores e autoras tem abarcado quase todos os países da América Latina mostrando um panorama rico, diverso, complexo e, ainda bastante inexplorado, de questões e problemas de investigação que se apresentam nesse contexto geográfico do Sul global.
Na presente edição, publicamos a Seção Temática Violência Armada do Estado: impactos na saúde das crianças e dos jovens, organizada pelas professoras Lucia Rabello de Castro e Renata Tavares Guimarães. Essa edição temática é lançada a partir da chacina cometida contra os moradores do Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, deixando mais de 120 pessoas mortas. Tal episódio, que não constitui excepcionalidade do braço armado do Estado, tendo sido promovida pelo próprio governo do Estado, nos convoca a todos e todas que lutam pelos direitos, bem-estar e saúde mental de crianças e jovens a disputar narrativas que possam sobrepujar a normalização dessa violência e arbitrariedade extremas. Assim, a Revista acompanha, com enorme preocupação, o impacto desses episódios sobre crianças e jovens. A publicação dessa edição temática vem ao encontro de promover a discussão pública sobre acontecimentos de tamanha importância.
Do ponto de vista da gestão operacional, o trabalho realizado na Revista é, sobretudo, voluntário. A manutenção da revista se dá por meio do trabalho generoso de professores e pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação. Não há pagamento de salários ou complementação salarial de pessoal técnico e administrativo ou quaisquer outras vantagens para pessoal de instituições públicas (federal, estadual e municipal). Apenas a revisão técnica, a diagramação e a marcação da Revista requerem profissionais contratados para assessoria nesta função. Contamos com uma tradutora contratada e duas componentes do conselho editorial que auxiliam na tradução de nossos artigos e textos institucionais.
A Revista DESIDADES adota, desde o seu lançamento, a política editorial de Open Access (Acesso Aberto e Gratuito) aos seus leitores e visa criar estratégias de viabilidade econômica sem cobrar taxas para a submissão e publicação de artigos a autores. Essa posição se fundamenta nos princípios de acessibilidade aberta e gratuita para todos e todas que desejam ter acesso a discussões e pesquisas de qualidade na área da infância, adolescência e juventude, sem que o critério financeiro seja um impedimento em um território tão desigual socioeconomicamente como a América Latina.
Nas atuais condições, a Revista tem se equilibrado em um orçamento exíguo obtido através de bolsas de pesquisa, eventuais editais de apoio à editoração e emenda parlamentar. No entanto, esta previsão encolhe o horizonte de ações da Revista já que os recursos são pontuais e instáveis. Com o correr dos anos, três dos dez atuais Editores Associados ingressaram nos quadros da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como professores permanentes. Colocou-se, desta forma, para o Conselho Editorial a questão premente da permanência desses Editores nos quadros da Revista, uma vez que seu trabalho voluntário como Editores deveria, no mínimo, contar também como carga de trabalho docente na sua atual Universidade, a UERJ. As considerações acima têm sido objeto da reflexão do Conselho Editorial por quase dois anos. Como parte da solução, foi proposto e aprovado o encaminhamento de que se deveria buscar uma parceria interinstitucional com a UERJ como colaboração entre Universidades em prol da publicação da Revista. Os primeiros contatos com a UERJ neste sentido foram, então, feitos no início de 2025, tendo recebido sinalização muito positiva nas várias instâncias competentes. Do mesmo modo, se encaminharam gestões no âmbito das instâncias relevantes da UFRJ para aprovação desta parceria que foi, enfim, celebrada em um evento, realizado na UERJ, no dia 26 de março de 2026.
Esperamos que essa parceria co-institucional entre UFRJ e UERJ traga bons ventos e longa vida à Revista DESIDADES!
Lucia Rabello de Castro (Editora Chefe)
Renata Alves de Paula Monteiro (Co-editora)
Sonia Borges Cardoso de Oliveira (Co-editora)
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